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sexta-feira, 25 de junho de 2010

UMA VERDADE QUE TODO BRASILEIRO PRECISA SABER.

Ainda existem no Brasil pessoas esclarecidas e com índole fenomenal e, eu tive a honra de conhecê-lo, trata-se de Ary Taunay, um sofrido ex- funcionário do Banco do Brasil que, pela peformace de suas palavras e colocações, me orgulha, em publicar uma matéria de sua autoria. Espero que a repercussão seja bem vida à todos.




A verdade e os fatos por ele mostrado nos obriga a repensar o nosso Brasil político e o de Conchavos espúrios. Vamos à matéria.





MALANDRAGEM BRASILEIRA

Quem não ouviu falar ainda de PDV? O que é PDV no conhecimento popular? Bem, assim “en passant”, é um jeito das empresas públicas se livrarem de seus empregados, pagando algum tipo de incentivo financeiro para que “o trouxa” cresça o olho na grana e caia fora, deixando a vaga para alguém mais novo, que geralmente custa menos, ou ainda, deixando a vaga para ser ocupada por uma empresa terceirizada, já que está na moda, mas claro com um contrato onde sempre rola “unzinho” por fora, bem ao estilo da politicalha brasileira, afinal ninguém é de ferro e, pensando bem se elegeram para quê? Porque na verdade outra serventia não se vê nessa classe.

Foram muitos os “PDVs”, claro que com as finalidades acima, mas um deles em particular chama a atenção, porque torceu e retorceu tudo o que se conhecia, deixando bem à mostra o quanto a malandragem brasileira influencia a vida do País. Foi o PDV do Banco do Brasil, onde a finalidade foi outra, bem outra: DEMITIR PARA ROUBAR.

Quem diria hein! Aquele mesmo Banco do Brasil pomposo, todo mundo engravatado, orgulho da Nação, sonho de emprego de qualquer família, 200 anos de história, se prestar a demitir seus empregados para roubar seu fundo de pensão. Que vergonha! E dizer que eu trabalhei nessa pilantragem! Meu Deus me perdoe, mas eu não sabia!

Como eu não sabia (e não sou o Lula, que nunca sabe de nada), tem muita gente que também não sabe da história, então, se interessar prossiga, senão apague e continue acreditando em Papai Noel, pois eu vou contar como foi.

Logo depois da Segunda Guerra o Banco do Brasil tinha um problema. É que naquela época não existia previdência oficial, INPS, havia só aqueles antigos institutos, tipo IAPB, IAPC, IAPI, IAPTEC e outros mais, que se prestavam a pagar uma aposentadoria a seus contribuintes, mas não era grande coisa e para um funcionário do Banco do Brasil, acostumado com um bom padrão de vida, abraçar uma dessas era ruim demais.

Então a solução era uma só: Não se aposentar e trabalhar até morrer, mas isto estava criando um sério problema para o BB, porque se ninguém se aposentava, as poucas agências estavam abarrotadas de um sem número de velinhos, claro que, pela idade avançada, improdutivos e quase sempre ausentes.

Assim a solução foi uma só. O Banco do Brasil, com a garantia do Governo Federal, propôs aos velinhos: Se aposentem que a gente garante o salário! Pronto, foi bater e valer! Os vovôs saíram porta afora, que até a bengala esqueceram.

Aliviado o BB realizou novos concursos públicos e se encheu de sangue novo, mas como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, o tempo foi passando e o Governo Federal nada de pagar a sua conta com o BB, como se diz na fronteira com “los hermanos”, deu uma de “calaveira”.

Chegamos em 1967, plena ditadura militar, e aí mesmo que o governo não pagava. E alguém seria besta de cobrar?

Encontraram outra solução, porque o BB já tinha muita gente aposentava e não suportava mais a despesa.

A idéia era criar um fundo de pensão, que chamaram de PREVI. O tal fundo seria engordado com dinheiro dos novos funcionários que entrassem no banco, mas só não diziam nada que seu dinheiro iria ser usado para pagar aquele pessoal que o banco vinha pagando. Acontece que a conta não fechou, porque o dinheiro arrecadado só dos funcionários não ia dar para bancar os velinhos. Então o BB se comprometeu a depositar no fundo todo o mês, o dobro do que os funcionários pagassem o que para o BB era bom negócio mesmo assim, porque custaria muito menos do que pagar os aposentados.

Agora a conta fechou e tudo parecia que iria dar certo. Criaram a Previ na esperança de ser a solução “seus problemas acabaram, chegou a Previ”. Então chamaram os velinhos aposentados e todos os funcionários que entraram no BB antes de 1967, “olha aqui pessoal, vocês se associam na Previ, assinam um documento, que a partir de agora a Previ é que vai pagar suas aposentadorias”.

Só que a “velharada” não era besta, afinal para que entrar numa coisa nova, sem garantia de que iria dar certo, se já estavam garantidos pelo BB e pelo Governo Federal? E não se associaram na Previ deixando o BB segurando o pincel.

A tendência é que a coisa ficasse muito pior, porque não foram só os aposentados que não entraram na Previ, também todo aquele pessoal que entrou no BB antes de 1967 não quis saber de conversa e na medida que foram se aposentando a despesa ia aumentando cada vez mais.

Lá naquela época ninguém dava muita bola para essas coisas, a maioria nem sabia o que era fundo de pensão e depois a onda era outra “90 milhões em ação, prá frente Brasil! Salve a Seleção!” Mas o negócio foi piorando para o lado do BB, menos mal que a Previ, sem ter que pagar as aposentadorias dos velinhos, acabou formando rapidamente um patrimônio esplendoroso, ainda mais que no início da década de 90 já eram mais de 100 mil contribuindo direitinho todo mês.

Pois foi justamente nessa época que tudo começou, ou alguém acha que um montão de dinheiro desses não iria despertar a cobiça dos “Grandes Vultos da História do Brasil” ?

Lá em 95 o Dr. Sociólogo Fernando Henrique Cardoso tornou-se Presidente da República e já de cara disseram para ele: “Olha tem que descascar esse pepino do Banco do Brasil, a coisa tá feia, é prejuízo e mais prejuízo”. Assim o Dr. Sociólogo juntou sua ministrada, competentíssimos defensores dos interesses do povo, e lascou: “Pessoal, o que vamos fazer para resolver o problema do Banco do Brasil?”.

Claro, já saltou um bem intencionado dizendo: “Sr. Presidente, o BB é um banco de fomento à agricultura, não interessa lucro, o Tesouro Nacional tem que fazer sua parte e sanear a instituição”. Quase apanhou o coitado, porque o Dr. Sociólogo tinha outra idéia, que consistia no seguinte: O Governo está recém começando, a onda neoliberal está na moda em todo o mundo, eles querem investimentos em empresas estrangeiras. Se a gente os deixar investir aqui comprando umas estatais a troco de banana, vão ficar faceiros e nos emprestar dinheiro, assim a gente faz uns programas sociais, algumas obras, que certamente isso dá voto e a gente se mantém na mamata por no mínimo oito anos. Depois o povo que pague a conta, porque o que interessa mesmo é manter a mamata. Assim tem que haver outro jeito de resolver o problema do Banco do Brasil, porque não vamos gastar um tostão do tesouro. Idéias não faltaram, afinal mentes brilhantes reunidas, o resultado esperado era promissor. Então surgiu o “ovo de Colombo”.

Se o BB tá quebrado porque tem que pagar esses aposentados, então já que a tal PREVI tá entupida de dinheiro, vamos por na rua um monte de gente, devolver só uma parte do que pagaram para a Previ e roubar o resto, assim a gente junta uns 10 ou 11 bilhões, resolve o problema do BB, manda a Previ pagar os velinhos daí prá frente e não gasta um tostão do Tesouro Nacional e ainda por cima deixa o BB enxutinho para vender pros nossos amigos que estão nos emprestando dinheiro.

Bem, o brilhantismo maquiavélico do dono do “ovo” mereceu aplausos de pé, afinal não é todo dia que um cérebro tão promissor aparece.

Plano imediatamente colocado em prática, criaram PDV e quem não aceitou levou um pé na bunda mesmo, depois a justiça do trabalho resolve, o que interessa é juntar os 11 bi o mais rápido possível.

Resultado. Imaginem o resultado. Alguém arrisca um palpite? Claro, não podia ser outro. Mais de 40.000 funcionários concursados jogados no olho da rua para que o Dr. Sociólogo fizesse um agrado às hienas neoliberais.

Passados os anos, perdidos, desnorteados, o pessoal do pé na bunda se fixou na esperança de resgatar sua dignidade à custa de um líder metalúrgico sempre defendido por eles. Seu grande herói, sua esperança de justiça, afinal fora ele mesmo que os ensinara a pensar assim.

Finalmente o metalúrgico, representante dos oprimidos, dos excluídos, dos desesperançados, dos desgraçados, chegou ao poder e o horizonte se encheu de luz. O tempo passou, o metalúrgico não era o messias e no horizonte voltaram as nuvens negras e aqueles 40.000 continuaram lá, sonhando, sonhando, sonhando e esquecidos pelo tempo.

Em 03 de outubro pense bem! Qual dos dois é o pior?

Ary Taunay Filho

Um comentário:

ARY TAUNAY FILHO disse...

José Wellington,

Agradeço o espaço concedido e as palavras de reconhecimento.
Espero que seu blog, até pelo compromisso que tem com a verdade, ajude-o a alcançar seus objetivos maiores.