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sábado, 15 de dezembro de 2007

Isso é Juiz ou...

Cidadão se dizendo juiz com carteirada evita eleitor consultar lista dos candidatos impedindo-o de votar em Deputado Estadual e, cumprir sua cidadania.

Desde 1985 resido nesta capital e, após duas eleições, transferi meu título eleitoral, por comodidade, votar, cumprir meu civismo (por obrigação), embora, entendendo, também que, além de ser uma obrigação é necessário a participação de todos nós, brasileiros.

Com exceção de uma eleição que votei no colégio Tilim, as demais eleições Eu votei na FACEX. Em todas elas, como não sou muito adepto dessas facções políticas e, também, não existe Lei que me obrigue a acompanhar e saber o nome e número de candidatos postulantes a cargos parlamentares etc., o T.R.E. como sempre, coloca em lugares de fácil acesso as listas pertinentes, para quem quiser fazer sua consulta.

Ocorreu o seguinte fato nessa ultima eleição: Ao entrar na FACEX minha primeira providência foi procurar a lista dos candidatos para consultar, pelo nome, o número dos candidatos ao Senado e Câmara estadual, tendo em vista que, os demais, quais sejam: para Presidência da Republica, Governo do Estado e Deputado federal, já os ter comigo. Pelo menos, no pavimento térreo não encontrei nenhuma lista que pudesse consultar. Ao dirigir-me a minha secção – Duocentésima nonagésima sexta – vi que na porta havia uma lista. Perguntei à porteira, “Porteira?!!?!!?”, pois é, naquela secção havia uma porteira. Cá pra nós, não sabia que o T.R.E. estava convocando porteiros para compor o quadro dos auxiliares da Justiça para eleição, pois, que Eu saiba são Presidente; Mesários e; Secretários, mas os tempos mudaram. Mesmo assim, pra que porteiro? – Pra que porta em secções? – Existe perigo de invasão? – bom deixa isso pra lá. Continuo. Perguntei àquela cidadã se não existia outra lista em que pudesse fazer minha consulta. Respondeu-me que só existiam: aquela na porta e; uma outra por traz da cabine de votação.

Mesmo assim, tentei consultar aqueles números na lista posta na porta. Com sacrifício consegui o número ao Senado, pois, se não me engano só havia cinco ou seis candidatos e, apesar do abre e fecha, consegui o número. Mas na seqüência procurei consultar o número do Deputado Estadual. Ai foi difícil. A relação é a maior que havia. Muito embora em ordem alfabética, mas, começa pela letra “A” e, mal terminava a porta abria e fechava. Lá ia Eu recomeçar. E assim por várias vezes não conseguia chegar a encontrar o número procurado. De modo que por várias tentativas infrutíferas desisti. Saí à procura de outra nas dependências e, novamente não encontrei. Por enquanto desisti e entrei na fila para votar.

Observando a movimentação vi que a porta estava parada, então, surgiu uma idéia. Fui lá retirei a lista da porta e quando estava colocando-a numa parede bem acessível, inclusive, entre as duas secções que funcionavam naquele local, imaginando que não estava apenas resolvendo meu problema, mas, para outros também, surpreendi-me com um cidadão que saiu da mesma fila em que Eu estava, após retirar uma carteira do bolso e, já tomando a lista de minha mão r, já a repondo na mesma porta, dizendo: “EU SOU JUÍZ E VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO SEM FALAR COM O PRESIDENTE DA SECÇÃO”, respondi: Tudo bem, como preciso consultar, então vou falar com Ele agora. Pedi licença à Porteira para falar com o presidente e, Ela abriu a porta e dirigi-me ao Presidente da mesa, que por sua vez era uma Presidenta. Ao tentar comunicar e, ao mesmo tempo pedir-lhe permissão para remoção da lista para um local mais lógico, novamente, para minha surpresa, vindo me acompanhado e, de carteira em punho, interrompeu-me dizendo novamente para a Presidente: “EU SOU JUÍZ E PODE TOMAR AS PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS” – respondi-lhe com simplicidade que, “apenas gostaria de consultar o número do candidato à Deputado Estadual e gostaria de remover a lista para um lugar que não fosse a porta, pois, naquela condição não poderia ver o número do candidato. Em seguida aquele cidadão saiu. Ao pedir novamente à Presidenta respondeu que Eu deveria procurar a Coordenadora do T.R.E. que se encontrava nas dependências daquela faculdade e resolveria a pendência.

Agradeci e sai à procura da referida Coordenadora. Foi também infrutífera a procura. Informaram-me que havia saído para o almoço, procurei, ainda, saber se não existia um substituto. Responderam que não. Desisti. Voltei pra fila para votar, só que, um deputado perdeu um voto. E aí? – Qual foi o crime que cometi? – Aquele cidadão esta certo em querer dar uma carteirada? – Ou Ele estava carente por não ser conhecido e querer que todos os presentes soubessem que era juiz? – Alguém perguntou se o era? – Será que Ele não se enganou de pessoa? – Talvez pensado que fosse um analfabeto ou um não esclarecido? – No mínimo, pelo menos, Ele tem certeza que está no Brasil e, essas baboseiras acontecem e têm validade, mas, apenas, com imbecis.

Já em casa ao comentar com minha esposa disse-me que tem um telefone “0800” para esses casos e, Eu poderia denunciar. Disse-lhe, não vou perturbar o Presidente do T.R.E. com isso não. Primeiro: deve está muito ocupado; Segundo: Eu já perdi, por cerceamento, o direito àquele voto; Terceiro: Quem perdeu mais foi um Candidato e; Quarto: Um voto faz pouca diferença. Então deixa pra lá.

Apesar de tudo isso, saí com minha dignidade ferida. Em pleno século XXI, um pobre coitado que queria ser notado como Magistrado desse modo. Conheço vários juízes e, não são tão insignificantes desse modo. São pessoas dignas, se fazem respeitar e, ainda, ao invés de agir como aquele cidadão, talvez, saísse da fila não com aquele propósito, mas, para me ajudar a colocar a lista. Que triste não?
Esta é minha opinião e indignação.

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente. Há juízes e juízes. Esse, com o qual você deparou sofre de "juizite". Como vc mesmo disse, ele estava carente de ser conhecido, daí a carteirada. Vá em frente que é esse o caminho.